
O Sistema Único de Saúde (SUS) está presente no cotidiano de todo país, desde o controle da qualidade da água que chega às residências, à fiscalização de supermercados e segurança alimentar, além de consultas, exames e internações. Outros países, no entanto, têm seus próprios desenhos e particularidades em seus sistemas de saúde. Pensando em ampliar este horizonte para os estudantes, o Departamento de Educação em Saúde do campus Lagarto (DESL), promoveu o evento “Rodas de Conversa: diálogos entre sistemas de saúde - Angola, Moçambique e Brasil”, com palestrantes internacionais de Angola e Moçambique.
Os tópicos foram abordados pelo docente do DESL Melsequisete Vasco, de Moçambique, e os residentes Júbilo Cutuma e Madalena Viliengue (HUL/UFS), de Angola. Os palestrantes apontaram algumas semelhanças entre os sistemas de saúde dos três países, como o acolhimento na atenção primária à saúde (no Brasil, nas unidades básicas de saúde, conhecidas popularmente pela siglas UBS). Assim como no âmbito da realidade brasileira, os palestrantes também relataram as diferentes necessidades do país de acordo com as diversidades e desigualdades regionais.
Enquanto no Brasil a estrutura do SUS é dividida em três níveis de atenção, em Moçambique, existem quatro: o nível primário (centros de saúde), secundário (hospitais rurais, gerenciais e distritais), terciário (hospitais províncias) e quaternário (hospitais centrais e especializados). Ao contrário do que ocorre no SUS, há pagamento de taxas para internamento, consulta e para a compra de alguns medicamentos. Em Angola, também há previsão de cobranças de algumas taxas de coparticipação (exceto para a população vulnerável).

Coordenador da ação, o professor Helmir Rodrigues, do DESL, destaca que o evento é uma oportunidade de os discentes conhecerem outras realidades. “Normalmente, a discussão fica muito centrada nos sistemas de saúde europeus ou norte-americano. Dessa forma, os alunos vão sair com uma noção maior de outros modelos de saúde, além do SUS”, avalia.

Professor do DESL, Melsequisete Vasco acredita que este tipo de evento facilita o diálogo entre os países. “É uma forma de fortalecer o diálogo Sul-Sul global. Vai além do compartilhamento de semelhanças e diferenças, mas é também um momento de reflexão de questões cotidianas que,muitas vezes, não são colocadas em discussão”, pondera.

O discente Emanuel Almeida é calouro do curso de Nutrição no campus e acredita que vivências do tipo enriquecem a as vivências acadêmicas. “Foi muito importante para entender como Brasil, Angola e Moçambique se conectam com seus sistemas de saúde, o que reforça a importância de a gente entender a importância e valorizar experiências como essas”, pontua.
Ana Laura Farias
Campus Lagarto




